Direção: Bruno Nuyten
22.7.12
"Camille Claudel"
Direção: Bruno Nuyten
22.8.10
Bollywood é tudo de bom!!!!
onde podemos ver filmes diferentes daqueles oferecidos pelos cinemas, mesmo aqueles cinemas mais "auternativos" ao circuitão, é o máximo! Significam uma oportunidade de ter contato com outras formas de se fazer cinema, diferente das formulas batidas do circuitão - eu gosto de filmes do circuitão, hein, gente, mas não fico limitada a eles - outras culturas, mesmo que através de um recorte, em fim, é uma oportunidade de ter entretenimento diversificado.Na sessão que assisti ontem tive o primeiro contato com um autêntico produto de Bollywood - a Hollywood da Índia. O que tenho a dizer é que o filme foi maravilhoso, fantástico onde a gente pode perceber sutilmente algumas nuances da cultura indiana, das relações de poder estabelecidas entre os grupos sociais e como eles ainda encaram o passado colonial. Assisti o filme "Lagaan – A Coragem de Um Povo” (2001) que conta a historia dos habitantes de um povoado da India que para não terem de pagar a taxa anual de lagan - uma espécie de semente que eles cultivam - deveriam ganhar um jogo de Criquet contra o time formado por soldados ingleses, da base militar local. A partir de então Bhuvan, o protagonista do filme, tem de convencer seus amigos, conhecidos e visinhos a aprender o jogo e encarar o desafio que beneficiaria não apenas ao seu povoado, mas a toda uma região. A questão não é apenas a sobrevivência do povo, mas também uma questão de honra, já que enfrentar e ganhar dos ingleses representaria enfrentar o opressor e vencê-lo.
O filme é um musical, por isso tem muita dança, e muita música, mas, diferente dos musicais norte-americanos, não nos provoca sono ou enfado, pelo contrário é divertidíssimo. O roteiro é perfeito, consegue criar um clima de tenção e fazer a platéia se idenficicar facilmente com os dramas e histórias vividos pelos personagens do filme, além de mostrar um pouco das nuances culturais do povo indiano. Além disso, há momentos em que questões atuais ganham voz, como a participação de um "dalit" no jogo o que vai causar confusão entre Bhuvan e a população do povoado - no sistema de castas indiano um daliti é o último grupo social na hierarquia e por tanto são despresados, não podem ser tocados pelos demais, são a camada social mais pobre da India e até pouco tempo não possuiam representação politica. A crítica a discriminação social imposta pelo sistema de castas, bem como as irreconciliáveis diferenças políticas e culturais entre muçulmanos e hindus, são questões que não se discutiam no século XIX, quando a história se desenrola, mas no roteiro elas ganham espaço demonstrando na verdade uma discução muito atual.
Em fim, "Lagaan - A Coragem de um Povo" é um filme é lindo do início ao fim, em todos os aspectos, que diverte e emociona!

22.2.10
O homem ilustrado (The Illustrated men)

Há cerca de dois anos, mais ou menos, eu li o fantastico livro "O homem ilustrado", de Ray Bradburry. Fiquei tão impressionada com as histórias, nas quais podia-se notar tensões da sociedade americana de então, e questões profundamente existencialistas pertinentes a qualquer época, que escrevi uma resenha e postei aqui no Pessoas. O livro me foi emprestado por um casal de amigos que também me disseram que havia um filme, produzido na década de 60 baseado no livro, mas apesar de minhas andanças pela net, sempre esquecia de procurar por esse. Talvez fosse pela minha má vontade de assistir fimes que são baseados ou livres adaptações de livros - na maioria das vezes fica muito, muito ruim.
Entretanto, agorinha, enquanto olhava meus blogs favoritos, dei de cara com o filme disponivel para download. Apenas três historiadas das muitas contadas no livro foram adaptadas, por coincidência duas delas estão entre as minha preferidas.
Quem quiser é so clicar: O Homem Ilustrado
15.2.10

Não gosto de filmes biográficos, eles tem a inclinação de glamourizar a vida das celebridades, as vezes inventam pessoas, personagens que nunca existiram, mas como ultimamente há alguns filmes biográficos bem interessantes - como o maravilhoso Piaf, sobre o qual ja comentei aqui - eu assisti ontem, via utorrent, "Coco antes de Chanel" (Coco avant Chanel). Detesto o mundo da moda, essa coisa de mulher esquelética e a glamourização da mulher que resulta num "modelo" a ser seguido me irrita profundamente, entretanto não posso dizer que sou indiferente ao mundo da costura e vestuário, muito pelo contrário, gosto de costura e tudo que tem a ver com criação, combinação de tecidos, texturas e estilos. Por isso fiquei curiosa em saber como era a vida de um dos maiores nomes da moda do século XX - ah, a criadora da máxima seguida por quase todas as mulheres pelo menos uma vez na vida: o "pretinho básico", e eu adoro roupas pretas!
O filme é bom e não fala nada de moda, ou do mundo da moda. Trata, como o nome já diz da vida de Gabrille Chanel antes de tornár-se a grande estilista, mas sem glamour algum, nem mesmo a máxima norte americana do "make myself". E essa é a grande sacada do filme, pois explora as poucas opções de vida da mulher no início do século XX.
Chanel, antes de tornar-se um mito, é uma mulher como tantas outras do início do século XX, pobre, sem pai, marido ou irmão, pois naquele tempo a mulher para ter espaço na sociedade, para ter no mínimo respeito deveria estar amparada por um homem. O que restava às mulheres pobres, orfãs de pai, sem irmãos ou marido, era arranjar logo um marido, dedicár-se a profissões como costureira ou empregada doméstica, ou a vida noturna que geralmente levava a prostituição. Até mesmo para mulheres pertencentes a classe média, as opções de trabalho eram limitadíssimas, sendo aceito apenas o trabalho como professora, e somente até o momento em que ela se casava. A educação dirigida a mulher era apenas para da a ela um verniz "cultural", torná-la "culta" para freqüêntar a sociedade, mas nada que pudesse ser levado a sério como profissão. O mundo do trabalho era exclusividade dos homens. Então, imaginem qual era a margem de mobilidade para uma moça pobre sem pai, nem mãe? Como qualquer outra mulher pobre daquela época é cavando oportunidades e tendo um homem por perto, como um "protetor" que Chanel vai traçando seu caminho. É de chorar a cena em que Chanel insiste que não quer alguém que a sustente, mas sim um trabalho. Alí não se vê o mito, mas uma pessoa lutando pela sobrevivência, lutanto por um lugar na vida, não qualquer lugar, ma um lugar seu - e essa poderia ser qualquer mulher. Com a ajuda financeira de um de seus amantes Chanel abre sua primeira loja e progride nos negócios.
Ao mesmo tempo que mostra toda as dificuldades da mulher na sociedade da bele époque, mostra também a forma como o conceito de vestuário, posteriormente lançado por Chanel, vai se formando. Através da observação e da mescla de conforto, liberdade, valorização de elementos da vida cotidiana, do íntimo, do pessoal, forma-se um conceito de vestuário em que menos e sempre mais e se associa conforto com elegancia, substituindo a ostentação, as amarras dos espartilhos, a obrigação da mulher se mostrar sempre bonita e enfeitada para os olhos masculinos e não bonita, elegante e confortavel para agradar, antes de mais nada, a si mesma.
Apesar da insossa Audrey Tatou - pois é, não gosto dessa atriz, ela tem um ar meio arrogante, de quem está de saco cheio de tudo, que me irrita - o roteiro é muito bom, a fotografia em tons amarelados marca ainda mais o período em que a história se passa dando um tom de delicadeza, e ao mesmo tempo opressão, e por vezes um leve desencanto, ao filme.Gostei muito do filme porque, em certa medida, humaniza um mito ao contextualizar socialmente a personagem de Chanel e explorar esse contexto e os conflitos presentes nele de forma muito sutil. Porem, em termos de roteiro, e emoção, Piaf ainda é o meu filme biográfico preferido! rs...
3.2.10
As Invasões Bárbaras - Reflexões sobre cinema, história e a existência...
Acabei de assistir "As invasões bárbaras". Embora "O Declínio..." tenha um roteiro bom de mais, "As invasões..." é extremamente bonito. Estou sem palavras mais uma vez - sim, pois há seis anos quando o assisti no cinema do Passo foi assim que fiquei, sem palavras... Saí do cinema em lágrimas e pensei nesse filme por vários dias...
Em "As Invasões...", Remy, o protagonista de "O declínio...", tem câncer em estado terminal, por conta disso sua ex-esposa (que ele insiste em tratar ainda como esposa) contacta seu filho mais velho Sebastien, com quem Remy tem um relacionamenteo conturbado, e o incumbe de tornar os últimos dias do pai mais confortáveis e reunir seus amigos. Aparentemente é mais uma história de reconciliação familiar piegas, e seria mesmo se filmada por um diretor e em um grande estúdio norte-americano, mais interessado em atingir as massas com um melodrama conservador e barato para triplicar bilheterias. Entretanto, filmado por Denys Arcand, cineasta canadense, a história é um balanço sensível dos ideais e utopias que permearam o imaginário coletivo de toda uma intelectualidade durante todo o século XX, e tiveram seu apogeu durante a segunda metade deste século mobilizando toda uma geração que sonhou, desejou, cometeu equivocos e lutou por um mundo melhor e pela liberdades dos povos e do homem. Eles vem a tona através de recordações na voz de Remy e seus amigos - o filme é todo cheio de referências à cultural, ideologia, política, hábitos e marcos do século XX.
A morte de Remy significa a morte desses ideais - até mesmo seu apego a vida significa o apego ao seu passado, a relutancia a abrir mão de seus desejos, paixões e convicções - sedendo lugar ao mundo neoliberal conservador e puritano, onde tudo e todos tem um preço e uma forma. Esse mundo está personificado em Sebastien, seu filho, executivo do mercado financeiro, muito bem sucedido, que tem uma vida aparentemente perfeita e um futuro previsível ao lado de Gaëlle, que não o ama mas prefere uma relação destituida de amor e por isso, supostamente, mais segura. Nada mais diferente da vida que Remy levou, permeada de aventuras e paixões.
Diferente de outros moribundos do cinema, Remy não aceita a morte de forma abnegada, muito pelo contrário, ele não quer morrer, e por vezes se revolta contra sua finitude e é ai que entra o existencialismo do roteiro. Quem aceita sua própria finitude quando ela ja está prevista? Podemos conviver com a presença da morte cotidianamente, podemos inclusive falar sobre ela, mas quando ela está anunciada torna-se algo real e inescapável. Essas características fazem de Remy um dos personagens mais humanos e apaixonantes do cinema, e o diferenciam das caricaturas sobre o doente terminal. Remy apesar de estar marcado pelo mundo, por tudo que viveu, apesar de ter visto e vivido mais coisas que a maior parte das pessoas não tem a oportunidade de viver e ver, ele não se sente tendo deixado sua marca no mundo. Queria ter escrito mais, queria reconhecimento, e queria não ser esquecido. Ora, ninguém quer ser esquecido, todos nós, no íntimo, queremos ser lembrados. Fica uma sensação de que a vida é tão curta para tudo que queremos fazer, para tudo que ainda queremos ver, que nunca basta o tempo que tivemos sempre queremos mais ...
Por fim, a profissão do personagem, um historiador, cai como uma luva para as reflexões e o existencialismo que o filme propõe. Nós historiadores, por mais que tentemos olhar de forma crítica e cietífica para a história, ha sempe um componente subjetivo. Falar do passado, na verdade, é falar do presente pois o que somos hoje está impresso por acontecimentos e idéias surgidos muito antes de nosso nascimento. Nosso trabalho é totalmente intelectual, é um trabalho de reflexão sobre a vida de hoje, olhando sempre para trás, sempre para os rastros. O que desejamos? Talvez para tentar entender como o mundo em que vivemos se formou, e para não deixar que nossa existência, pelo menos enquanto sujeitos sociais, se perca, que não sejamos esquecidos.
As Invasões Bárbaras (Les Invasions Barbares)
ano: 2003
País: Canadá
Direção: Denys Arcand
Elenco: Remy Girard (Remy); Stephene Rousseau (Sebastien); Marie Josée Croze (Nathalie)
L'amitié
| Beaucoup de mes amis sont venus des nuages | |
| Avec soleil et pluie comme simples bagages | |
| Ils ont fait la saison des amitiés sincères | |
| La plus belle saison des quatre de la terre | |
| Ils ont cette douceur des plus beaux paysages | |
| Et la fidélité des oiseaux de passage | |
| Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse | |
| Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse | |
| Alors, ils viennent se chauffer chez moi | |
| Et toi aussi tu viendras | |
| Tu pourras repartir au fin fond des nuages | |
| Et de nouveau sourire à bien d'autres visages | |
| Donner autour de toi un peu de ta tendresse | |
| Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse | |
| Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne | |
| Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne | |
| S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne | |
| J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines | |
| Alors, peut-être je viendrai chez toi | |
| Chauffer mon cœur à ton bois Versão em português Muitos de meus amigos vieram das nuvens Com o sol e a chuva como bagagem Fizeram a estação da amizade sinsera, A mais bela das quatro estações da terra Tem a docura das mais belas paisagens A fidelidade dos pássaros migradores E em seu coração está gravada uma ternura infinita, Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos. Então, vêm se aquecer comigo E você também virá Poderá retonrar às nuvens e Sorrir de novo a outros rostos Distribuir a sua volta um puco de sua ternura, Quando alguem quiser esconder sua tristeza Como não sabemos o que a vida nos dá, Talvez eu não seja mais ninguém. Se me resta um amigo que realmente me compreenda, Me esquecerei das lágrimas e penas. Então, talvez eu vá até você aquecer Meu coração com sua chama. |
30.1.10
Dicas Cinematograficas
Encotra-se de um tudo no blog (do bizarro "O tambor" ao sensivel "A excentrica família de Antônia) e o único ponto negativo é que os filmes estão em RMVB, fromato bastante compacto, mas com qualidade inferior ao AVI.
Tirando esse detalhe, é só se divertir!
Filmes Clássicos Inesquecíveis
Sobre "Invasões..." e "O declínio..." eu comento noutro post.
23.9.09
Piaf

Non, je ne regrette rien (Michel Vaucaire e Charles Dumont)
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux
Balayés mes amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Car ma vie
Car mes joies
Aujourd'hui
Ça commence avec toi...
Habitualmente eu não gosto de filmes biográficos. Não, não gosto mesmo. A tendencia a romantizar de mais a vida das pessoas é insuportavel. Entretanto, ontem, mudei minhas convicções a respeito de biografias, ou pelo menos abri uma exceção para Piaf - Um hino ao amor. Sem brincadeira, estou sem palavras.
O que o diretor e o roteiristas fizeram tornou mais um biografia de artista em "a biografia de uma artista". Ao invés de seguir uma sequencia linear de acontecimentos, o optaram por uma narrativa em que o presente e o passado se alternam em cenas muito bem trabalhadas. Ao contrário de confundir o publico, faz com que tenhamos uma visão da vida dela como flashes de memória da personagem, ou como um recorte dos principais momentos, os momentos mais importantes da vida de Piaf para ela mesma. Essa é a impressão que temos também com o entra a sei de persongens que não sabemos com apareceram na vida dela. Ora, não é necessário esse tipo de explicação para o dono das memórias.
A fotografia é alucinante. Impossivel não lembrar das bailarinas de Degás, ou da boemia e submundo Parisience expressos em telas impressionistas do século XIX e início do XX. Um ponto interessante é a mudança da temática das canções de Piaf antes de tornar-se uma estrela e depois - as primeiras eram conções que falavam do cotidiano das personagens a margem da sociedade francesa como prostitutas, mulheres sozinhas abandonadas pelo marido e tal. E por fim, Marion Cotillard, que eu já tinha visto fazendo pontas em alguns outros filmes, inclusive americanos, deu um show de interpretação, ao encarnar Edith Piaf.
O roteirista não abriu mão de acrescentar romântismo e tragicidade a vida de Piaf, mas não errou a mão. As cenas da primeira apresentação de Piaf num teatro e a cena final, sua ultima apresentação, são emocionantes. Não preciso dizer que encharquei a almofada e ainda não consigo escrever todas as minhas impressões sobre esse filme. Só posso dizer que foi um filme fantástico, bonito, poético, triste e feito com uma sensibilidade que arrepia.
20.9.09
Filmes de Amor
O que se espera de um filme de amor? Cada um tem uma resposta particular para tal pergunta. Tem aqueles que curtem uma comédia romântica politicamente correta e caretésima como as norte-americanas. Tem outros que curtem aqueles filmes de amor românticos e lacrimosos, esses são de qualquer nacionalidade; e há aqueles que curtem filmes onde o amor e encontrado da maneira mais inesperada – até porque o amor surge assim na vida d’a gente, de maneira inusitada e inesperada. Eu gosto desses últimos simplesmente pela veracidade que eles nos passam – já dizia Gabo, um livro ou um filme não precisa passar a realidade, mas precisa passar veracidade, ou seja, quem lê ou assistem tem de acreditar na historia.
Sendo assim eu destaco um filme muito bonito, norte-americanos mas com um quê de filme alternativo – aqueles que buscam uma alternativa ao clássico cinemão norte-americano – que marcou minha adolescência exatamente pela forma como é enfocado o amor e é narrada uma história de amor.
é Green Card – Passaporte para o amor tem como protagonistas Andy Macdowel como Brontë (sim, uma clara alusão ao Emilly Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes) e Gerar Depardie como Gerorges. Brontië casa-se com Georges, compositor francês em busca do green card para viver nos EUA. O interesse de Brontë no enlace é alugar um ap que possui uma linda estufa – ela é bióloga – mas a proprietária só aluga para casais. Eles se casam e nunca mais se vêem até que o serviço de imigração bate a porta de Brontë. Para que Georges não seja deportado e Brontë não seja presa (pois é, isso dá cadeia!), eles são obrigados a passarem um feriado prolongado juntos morando sob o mesmo teto, conhecendo um ao outro e prepararem-se para a entrevista com o pessoal da imigração. É então que o bicho pega porque Georges e Brontë são muito diferentes em seus gostos. Brontë é a típica americana politicamente correta, não fuma, não bebe, e só toma café sem cafeína – que horrível! – além de ser engajada num projeto social que envolve arborizar bairros pobres; ao passo que Georges não está engajado em nada, fuma, bebe, come comida gordurosa e adora café comum, além de ser meio grosseirão.
A convivência entre ambos, inicialmente, parece absurda e insuportável, mas no decorrer do filme eles acabam se envolvendo e se apaixonando e o legal é exatamente a forma como acontece: conhecendo um ao outro em seus defeitos e qualidades, os pequenos gestos, a revelação de sentimentos muito pessoais. A descoberta do amor é surpreendente para ambos. Oras, não é assim que nos apaixonamos? Quando observamos o outro e vamos percebendo nele algo que nos toca e o torna admirável? Por isso acho Green Card um filme bacana, leve e bonito. Não, não há arroubos de paixão, nem encontros no meio de um transito louco, ou num temporal. Há sim, duas pessoas comuns com suas particularidades, seus medos, angústias, anseios, manias, beleza, virtudes e defeitos. São esses ingredientes que tornam a historia do filme verossímil.
Destaque para Gerar Depardieu completamente fora do padrão de galã romântico e muito bonito muito bonito – pois é, adoro esses tipos grandes que deixão quaquer mulher segura – e para a dublagem pois a primeira vez que assisti foi dublado e ao assisti-lo agora, com legendas, percebi que a dublagem foi perfei
ta tanto no tom de voz , quase o mesmo dos atores, quanto pelo fato dos dubladores tentarem reproduzir a forma de falar dos atores (intervalos de voz, suspiros, e tal...).
É um filme original e despretencioso, delicado, bonito, engraçado e emocionante que vale a pena ser assistido.
Título: Green Card - Passaporte para o amor
Ano: 1990
Atores: Andy Macdowel (Brontë Mitchel) e Gerard Depardieu (George Faure)
Direçao e roteiro: Peter Weier
17.9.09
Machuca

Uma cena marcante, logo no início do filme, é a da apresentação dos novos estudantes, na classe de Gonzalo. A camera primeiro passeia pelo rosto dos meninos novos na escola, todos com feições que lembram sua descendência indígena, em seguida há um corte e a câmera então passeia pela classe, composta por meninos brancos de feições européias.
Na verdade há várias metáforas nas cituações exploradas pelo roteiro, a amizade entre os dois meninos é a primeira. Através da relação ora tensa, ora amena, percebe-se também a relação entre dominantes e dominados dentro de uma sociedade altamente conservadora como é a chilena.
A posição política de uma classe média com alguma consciência política e uma elite que conservadora que não abre mão de seus privilégios e flerta com o capital estrangeiro, fica evidenciado no processo de desagregaçao da família de Gonzalo, cuja mãe mantem um caso com um homem mais velho e muito rico, além de manter uma posição política conservadora condescendente e paternalista em relação as classes populares - o que é demonstrado em dois momentos: na ruinião escolar onde ela se coloca claramente contra a permanencia dos meninos pobres na escola, postura oposta a do pai; e na sequencia da passeata onde ela integra o grupo de direita, e ao mesmo tempo de defende Silvana, amiga de Machuca e Gonzalo, que a agride em meio a manisfestação, pois a vê como uma "criança", começa também a agredí-la quando percebe sua reação agressiva e revoltada. Ou seja, a classe dominante tolera a insurgência dos dominados até um certo ponto. O pai, ao contrário, mantem uma posição ideológica progressista, entretanto está a maior parte do filme ausente, entretido em seus negócios, em ganhar a vida.
Os anseios de uma parcela da população marginalizada que ousou organizar-se políticamente em apoio a Allende e a seu projeto de revolução social fica reforçado pela presença de Silvana, vizinha de Machuca. Silvana ganha a vida com o pai vendendo cigarros e bandeirinhas em maninfestações políticas, ora entre os grupos de direita, ora entre os grupos de esquercada. Com personalidade forte, possui uma postura de revolta contra o sistema, mas uma revolta surda e muda, que explode em situações pontuais e em alguns momentos contra Gonzalo, a personificação do sistema.
Ao contrário do que esperava quando comecei a ver o filme - um drama sobre as descobertas da adolescencia de dois garotos, tendo o golpe apenas como pano de fundo - Machuca é um filme muito mais profundo, que não apela para situações clichês, mas faz uma grande metáfora sobre o processo de desagregação do governo Allende e uma análise da propria sociedade Chilena através de situações cotidianas e das relações humanas que em suas minúcias, um olhar, uma palavra ou um gesto, podem demonstrar muito das relações sociais que se estabelecem entre os grupos numa sociedade. Que ninguém espere cenas lacrimosas, ou o que eu costumo chamar de "encontro das águas", aquelas cenas em que as diferenças são postas em pratos limpos através de muita roupa suja lavada, não, muito pelo contrário, Machuca expõe chagas de maneira tranquila, sem sobressaltos, e exatamente por isso, muito dura e realista.
30.11.08
Naturalizações...
Isso me lembrou outros dois filmes sobre os quais andei pensando há algumas semanas: Quantum of Solace e A Paixão de Cristo. Na matéria que saiu no Globo na semana de estréia de Quantum, o diretor e equipe de produtores enfatizavam o quando o filme é violento, o quanto James Bond se afasta do agente glamouroso idealizado nos anos do pós-guerra por Ian Fleming, quase uma caricatura, tornando-se mais violento e por isso mais “humano”, imediatamente lembrei do discurso do Mell Gibson sobre o seu Paixão de Cristo. Tinha o mesmo tom: humanizar a figura do personagem, Cristo, através da exposição de seu martírio e sofrimento, provocado por atos de tortura.
Há uma enxurrada de filmes assim, notadamente norte-americanos, mas nem sempre de diretores norte-americanos, e o discurso de todos eles é o mesmo: "humanizar" um personagem através da exploração da violencia, ou cometida por ele ou contra ele, ou através da exposição de sofrimento infringido por ato violento. E não são diretores desconhecidos, mas sim diretores consagrados – o diretor de Quantum, Marc Foster, tem em seu currículo filmes como A última ceia e Em busca da terra do nunca e o recente O Caçador de Pipas. Todos sucessos de público e crítica.
A questão toda é por que eles esperam humanizar um personagem através da violência? Será que a marca da humanidade é a maldade extrema, ou seja o ser humano é “naturalmente” mau?
O ser humano não é naturalmente mau, ou naturalmente bom, não acredito em naturalizações. O ser humano é algo muito mais complexo que os estereótipos e idealizações criadas pelo cinema norte-americano. Essa "humanização" que diretores e produtores perseguem obstinadamente na verdade é o extremo oposto da idealização da benevolência humana e, como tal, não conduz à humanização alguma, mas sim à legitimação e, quiçá, naturalização e banalização da violência na sociedade.
O que mais me irrita neste discurso é o tom pseudo-intelectual de problematização da violência humana, o que é apenas uma desculpa para justificar um filme de ação tecnicamente bem feito, sensacionalista e extremamente violento, que se leva a sério.
Eu gosto dos filmes do James Bond – pois é, todo mundo tem algum podre do qual não se orgulha, mas também não se envergonha muito – mas depois de ler a reportagem, perdi completamente a vontade de assistir. De violência e atrocidades já me chegam os jornais diários, já me chega o bando de gente que vejo no Centro da cidade, dormindo na rua, ao relento, o pedinte mal encarado e mal vestido de quem a gente devia o olhar para fingir que não vê. A violência dos homens já conheço, não preciso ir ao cinema pra ter isso esfregado na minha cara, em cenas frenéticas de ação como se fosse a oitava maravilha do mundo, idealizadas por cineastas que, cinicamente, pensam terem descoberto o caminho para o entendimento das mazelas humanas, atrelados a uma indústria milionária que só visa o lucro fácil sobre uma platéia que se deixa embrutecer cada dia mais - e nisso eu incluo todo tipo de público, inclusive o de classe média.
Sei que filmes, livros, músicas, peças de tetro, ou qualquer tipo de expressão artística não induz ninguém a cometer atos violentos, mas os discursos influenciam sim as pessoas e se essa naturalização da violência humana continuar se propagando, as sociedades se tornarão uma barbárie pior que a de hoje.
17.11.08
E por falar em cinema...

Saiu ontem na Revista O Globo uma matéria muito interessante sobre o Ponto Cine, cinema que só exibe filmes brasileiros e filmes de arte. Nenhuma novidade, não é? Não, nenhuma, existem salas de cinema semelhantes pela cidade como o Odeon BR, o CCBB, Cinemateca do MAM, Cine Maison, na Maison de France, e várias outras. A novida é o fato do Ponto Cine funcionar em Guadalupe, bairro do subúrbio do Rio, e não no centro ou zona sul, como a maior parte dos cinemas com esse tipo de programação.
O Ponto Cine foi criado em 2006, e localiza-se ao lado do Shoping Guadalupe. A entrada custa seis reais e o cinema já recebeu mais de 50 mil pessoas desde sua fundação. A divulgação é feita pelo diretor do cinema, Adailton Medeiros, que percorre o barro e adjacencias numa van exibindo trailers dos filmes em cartaz no cinema. Além da exibição de filmes o cinema ainda mantem projetos como o Dialogos com o Cinema - debate entre profissionais da área de cinema - o Oficine-se, curso que ensina a montar núcleos de cinema e o Pro-social Cinema, patrocinadao pela Petrobrás, que cadastra estudantes e pessoas que não podem pagar pela entrada promovento seções gratuitas.
Por aí a gente vê que o principal bjetivo é aproximar o público da sétima arte, principalmente do que é feito aqui no Brasil, e mostrar que cinema é diversão e diversão é cultura também, e não apenas comédias escatológicas, pau-puro (filme de ação!) ou comédias românticas açucaradas. E que é perfeitamente viável estender o circuito alternativo para os bairros do subúrbio, desde que se atenda às condições socio-econômicas da população.
Lembrei de uma discussão sobre cinema da qual participei, num forum, há alguns anos. O foco era o preço da entrada. Caramba, é impossivel para um assalariado freqüentar o cinema - digo freqüentar, fazer da ida ao cinema um hábito, coisa que se repete umas três vezes ao mês - principalmente se a praia do cara é filme "alternativo", filmes fora do circuitão. Os cinemas especializados nesse tipo de filme localizam-se no centro e zona sul. Uma pessoa que mora na baixada e desce de ônibus pasga em média, para ir e voltar, quase 10 reais; mais a entrada inteira no Odeon, 10 reais; mais a pipoca e o "podrão" com refri depois da seção, mais 10 (e eu estou nivelando por baixo, muito baixo por sinal, sem considerar a hipótese dele preferir comer noutro lugra um pouco mais caro, ou tomar uma cerveja com tira-gosto), ou seja no mínimo gasta-se R$ 30, 00, sozinho, sem incluir mais nada, nem ninguém e indo para o Centro, porque se o cara quiser ir ao Espaço de Cinema, Estação Botafogo ou Artepex, teriamos que incluir mais dois ônibus e isso daria um acréscimo de exatamente R$ 4,20. O salário é R$ 480, 00. Tirando os descontos, sobram R$ 400, 00. Uma ida ao cinema por mês é quase 1o% do salário líquido do cara. É muita grana para quem ganha pouco.
Além de que, é uma vergonha o cidadão ter de cruzar a cidade para ir ao cinema!
16.11.08
Sentidos...
"Eu vi tudo
Eu vi a escuridão
Eu vi a luminosidade
De uma faísca
Eu vi o que escolhi ver
Vi o que precisava
E isso basta
Querer mais seria avidez"
Não estou com muito tempo para escrever, mas no início da semana que passou assisti um filme que estava a fim de assisti há algum tempo, na verdade há alguns anos. Chama-se Dançando no Escuro, foi lançado em 2000, dirigido por Lars von Trier. Eu achava que era apenas um drama e me surpreendi ao descobrir que era um musical – pra variar não gosto muito de musicais. Mais surpresa, ainda, fiquei ao me depara com uma história sensível que vai tomando um rumo trágico e com a atuação comovente de Björk.
O filme conta a história de Selma, imigrante da extinta Tchecoeslovárquia (a ação se passa nos EUA, anos 60), que trabalha numa fábrica e fazendo outros pequenos serviços com o objetivo de juntar dinheiro para a operação do filho, quando ele fizer 13 anos. O motivo da operação é que o menino tem a mesma doença hereditária da mãe, uma espécie de cegueira progressiva. Não há salvação para o estado de Selma, e ele fatalmente ficará completamente cega um dia, mas uma operação pode salvar seu filho do mesmo destino. Selma mora de aluguel num trayler no jardim de uma família e as coisas se complicam para ela, quando seu senhorio, que passa por problemas financeiros, descobre que ela tem mais de dois mil dólares guardados.
Há cenas lindíssimas e é uma exaltação dos sentidos. As cenas musicais, iniciam-se quase todas com a percepção da cadência do ruído no ambiente. Uma das tomadas geniais nesse sentido, a primeira tomada musical do filme, acontece na fábrica e a ação se inicia partindo do barulho e do trabalho mecânico no galpão onde Selma (Björk) e Kath (Catherine Deneuve) – sua amiga – trabalham fabricando pias de aço. Bacana mesmo, bonito de se ver. Mas a seqüência musical que eu mais gostei foi o momento em que Selma está voltando pra casa seguida por Jeff, pretendente da moça. Eles estão caminhando pelos trilhos do trem numa ponte, a conversa entre os dois é sobre a visão - esse é o momento em que Jeff percebe a cegueira de Selma. Todo diálogo entre eles é cantado e tanto e gira em torno do sentido da visão. É emocionante quando Jeff questiona sobre tudo que Selma não verá porque ela está quase cega, e ela responde cantando: Eu vi tudo/Vi a escuridão/E a luminosidade de uma faísca/Eu vi o que escolhi/vi o que precisava/E isso basta/Querer mais seria avidez.
Björk começa meio mal, pelo menos foi o que eu achei, mas no decorrer do filme cresce muito dando um show de interpretação dramática. Também me surpreendeu muito ver Catherine Deneuve atuando. Eu estava acostumada com a clássica imagem de A bela da tarde e outros filmes que ela fez em que seus personagens sempre possuem uma certa sensualidade. Neste filme ela é coadjuvante, interpreta Kath, amiga de Selma, uma operária, forte, determinada, meio rabugenta e extremamente humana - dá pra acreditar: a "bela da tarde" na pele de uma operária?! Mas esteve e foi perfeita. Sua personagem cria um equilíbrio na história, é como se ela fosse o lado racional de Selma, aquela que a puxa pra a realidade para o lado prático da vida.
A percepção do mundo através dos sentidos é o fio condutor do roteiro e principal argumento para as ações de Selma, para quem mais importante que salvar a própria vida, é salvar o filho de uma vida como a sua, salvá-lo da cegueira, permitir que ele tenha um futuro melhor, cheio de luz. Ao mesmo tempo há uma crítica sutil ao american way of life, onde só tem voz e vez quem tem grana, posição e aparência; onde pobres, mulheres, negros e estrangeiros são marginalizados e apesar do discurso da igualdade perante a lei, do qual os americanos se gabam, quem vacila não tem uma segunda chance.
Nesse sentido o filme lembra muito o sucesso recente do mesmo diretor Lars von Trier, Dog Ville, sendo que neste o foco do roteiro é a crítica à sociedade americana. Já em Dançando... o roteiro pende para o existencialismo.
É um filme comovente, bonito, com cenas tocantes e extremamente fortes, um bom roteiro que deixa o espectador ansioso e preso do início ao fim, muito bem amarrado, onde as ações e as motivações dos personagens fazem todo o sentido. Com uma dupla de atrizes fantástica. Um lindo filme triste, sobre pessoas simples, com uma vida simples e por vezes trágica.
Lembrei do meu avô. Meu avô ficou cego com mais ou menos 61 anos, eu acho. Ele era uma pessoa super ativa e progressivamente foi perdendo a vontade de viver, passou por problemas sérios, ficou anoréxico, quase morreu, mas se recuperou. Entretanto nunca mais voltou a enxergar. Um dia eu estava conversando com ele e então me veio a cabeça fechar os olhos para ficar como ele, para entender o que ele via, o que ele sentia. Coitado do meu avô... Naquele instante eu entendi porque, um dia, ele perdeu a vontade de viver.
Dançando no Escuro/Dancer in the dark
ano: 2000
direção: Lars von Trier
Atrizes: Björk e Catherine Deneuve
Prêmios: Palma de Ouro de melhor filme no Festival de Cannes
16.10.08
Beleza roubada...
"I need loveNot some sentimental prison
I need god
Not the political church
I need fire
To melt the frozen sea inside me
I need love"
Sam Phillips - I need love
Beleza Roubada é o título em português para o filme Stealing Beauty, clássico dos anos 90 que lançou Liv Tyler, filha do bocudo rock star Stivie Tyler (Aerosmith) como atriz, e acabou virando cult. O filme de Bernardo Bertoluci, conta a história de Lucy, 19 anos, aspirante a poetisa, que perdeu a mãe (também poetisa) recentemente que viaja para o interior da Itália em busca da identidade do pai.
Apesar de viver nos anos 90, muitas décadas após a liberação feminina, Lucy, jovem americana, rica, do alto de seus frescos 19 anos é virgem. Ela se hospeda na casa de antigos amigos de sua mãe, com uma vida e valores muito peculiares que se estranham a opção de Lucy a só se entregar ao seu verdadeiro amor, principalmente porque ela é deslumbrante (Liv Tyler, realmente foi uma das jovens atrizes mais lindas dessa geração dos 90 e ainda é) não somente pela beleza física, mas também pela sensualidade ingênua, característica das meninas que estão se tornando mulheres.
O filme tem um roteiro bacana, mas termina esquisito, e digo isso porque fiquei com a sensação de que a Bandeirantes (assisti, a primeira vez, na tv) tivesse encurtado o filme em uns cinco minutos. Fica um super gancho clamando por resolução, e minha dúvida se dissipou quando comprei o DVD, numa daquelas promoções absurdas da Americanas: ele acaba esquisito mesmo. Mas pra compensar essa sensação de "ué, acabou?!", a tomada final é uma panorâmica sobre uma daquelas cidades medievais italianas lindíssimas, ao som de I need love, canção simples mas bonitinha e com bom ritmo.
Por falar em música, a trilha sonora é uma gostosura e eu escrevo escutando-a. Há os conhecidos e clássicos Stevie Wonder, Nina Simone e Billie Holiday*, entre outros nomes desconhecidos (pelo menos para mim) como John Lee Hoker (que lembra muito o Ray Charles), com Annie Mae; Sam Philip com a já citada I need Love; Portshead com a desesperada Glory Box; Hole, com a sensual Two Wick e a hipnótica Alice, de Cocteau Twins.
Um filme bacana, bonito, com lindas tomadas, e uma trilha, como já disse, para todos os gostos e bastante suave também.
Assistam, escutem.
* Encontrei duas grafias para o nome da cantora. Não sei qual é a correta, por isso optei pela que me ofereceu mais resultados. A outra é "Billy Holliday". Quem souber qual é a correta, por favor sinta-se a vontade para corrigir-me. Obrigada.
10.6.08
Épicos e fantasias...
11.3.08
Coisas que assisti - "O dia que meus pais saíram de férias"

Quem quiser saber mais: http://www.oano.com.br/
15.1.08
Comentários de cinema...

Tenho andado sem tempo para escrever, pois estou terminando minha monografia – pois é finalmente após anos eu vou me formar! – e por isso, muito concentrada. Só penso nela, acordo e durmo pensando nela, como e lavo a louça pensando na dita. Isso já me custou uma dor crônica nas costas e pelo menos três quilos a mais do que eu tinha. Mas nesse último sábado assisti um filme que não posso deixar de comentar.
A TVE – agora TV Brasil –, o canal estatal, exibe sábado, à meia noite, o programa Cadernos de Cinema. Primeiros eles exibem um filme brasileiro, e depois tem um debate geralmente com um participante do filme, seja artista, ou alguém da produção, ou direção, e outros convidados, como jornalistas, críticos, e até mesmo sociólogos, dependendo do filme. Há muito tempo eu não assistia o programa por conta do horário e dos filmes que andaram rolando, mas no sábado, pulando de canal em canal, acabei parando na TV E, quando me deparei com a imagem do Antônio Fagundes em sua melhor forma. Tratava-se de “A próxima vítima”, um filme rodado em São Paulo nos idos dos anos 80, provavelmente era 82, ano da eleição para governador. Lembro dessa eleição como se fosse hoje, porque minha avó e quase toda a família iam voltar no Brizola, e eles só falavam nisso, era como se fosse uma libertação, uma volta ao tempo antes do golpe. Meu pai, que nessa epoca trabalha numa fábrica de tecidos em Caxias e estava envolvido com o sindicalismo, era o mais entusiasmado.
Tecnicamente o filme está ruim, a imagem gasta e desbotada, o som é horroroso, mas no conteúdo é bom pra burro – talvez um pouco longo, com algumas cenas desnecessariamente longas, que dão a impressão de que o roteiro vai se perder, mas depois que o filme engrena, fica muito legal. E apesar da qualidade das imagens, elas contribuem para o clima fatalista que perpassa todo o filme.
A parte que eu mais gostei, foi quando Davi, pergunta ao porteiro o motel onde as prostitutas trabalham, se ele sabe quem é o assassino, se já o viu, se é branco, preto, figurão. E o cara responde, depois de muito hesitar e de Davi já estar virando as costas e indo embora:
“Ele não é branco, nem preto, nem moreno, nem japonês. Ele é tudo isso. Não é um, são vários. Um mata, o outro acha graça e mata também. É assim”
Ou seja, ninguém se importa com quem está a margem do sistema, muito menos o próprio sistema.
Não é um filme brilhante, mas é bom e merece uma espiada.
13.9.06
Sobre “Minha vida sem mim” (My life without me)
É um filme é bem diferente das centenas de filmes norte-americanos que abordam o mesmo tema e que geralmente são cheios de clichês ou exageros dramáticos, mostrando pessoas “bem sucedidas” - executivos, advogados e afins - morando em condomínios de luxo tipo esses que existem na Barra, mas com casas, que de repente “descobrem o valor da vida e das coisas simples”. Não, este filme mostra pessoas como eu, você, o padeiro da esquina, que trabalham, que lutam, que sonham, que tem pouco tempo pra pensar na vida. Isso me tocou.
O que se pensa quando já se sabe que vai morrer? Que você vai deixar esse mundo e que ele vai continuar existindo mesmo sem você? Você não vai mais sentir a chuva te molhando, um cheiro bom, uma brisa, o calor de 40 graus, ou vir conversas cotidianas. Seus parentes e amigos estarão, comemorando aniversários, e indo a shows, assistindo filmes que você adoraria curtir? Você não estará mais nesse mundo. Eu pensei sobre isso, quando um amigo meu morreu aos 29 anos, pouco mais velho que eu na época. Foi estranho porque estava acostumada a ver gente de mais idade morrer. Pessoas que já tinham vivido um certo tempo e deixavam essa vida na ordem normal, como deve ser, ou como a gente pensa que deve ser. Eu estava no ônibus uns dias depois da morte dele e comecei a pensar que ele não estava vendo aquela rua, aquele dia, o sol, ouvindo o barulho do trânsito. Desde então a morte surgiu na minha vida como algo real, concreto. Isso não me causa desespero, nem apreensão...Só que agora eu penso sobre algo que ignorava.
Da mesma forma que a morte surgiu como algo concreto, material, a vida surgiu pra mim quando meu sobrinho Francisco nasceu. Eu nunca tinha cuidado de uma criança, observado ela crescer, sua comunicação, sua forma de expressão. Isso era algo distante. Eu via as crianças como algo “bonitinho” e às vezes inconveniente...Nunca tinha visto uma criança como um ser humano que esta crescendo e aprendendo a viver. Agora, que percebo isso claramente, fico muito, muito emocionada mesmo. Amo muito esse garotinho, não só porque é meu sobrinho, mas pq me fez descobrir um monte de coisas a meu respeito, a respeito do mundo, a respeito da vida. Ele olha pra mim, confia em mim, dorme no meu colo, ri das minhas palhaçadas, me respeita quando brigo com ele (outras vezes, não muito). Eu o ensinei a gostar de música, hábito que o pai e a mãe continuam cultivando. E agora quando ele ouve qualquer melodia já balança a cabeça, já reconhece. E isso me enche de felicidade. Foi convivendo com dele, desde o seu nascimento, que tive noção concreta da existência e importância da vida.
Em fim, “Minha vida sem mim” não é um filme feito para fazer chorar, mas para fazer pensar e choramos porque acabamos pensando sobre as questões que ele coloca. Questões existencialistas que a gente nunca pensa, ou foge de pensar. Não é um filme sobre morte, mas sim sobre vida, sobre tempo. Talvez seja assim devido a direção que é européia. Não é uma superprodução com artistas famosos, diálogos longuíssimos, locações luxuosas. Não! Ao contrário, é um filme feito com olhares, gestos, poucas palavras, silêncio, com uma trilha sonora instrumental fantástica, introspectiva. Um filme, triste, sutilmente triste. Sem pieguices, sem exageros, humano, bonito...
23.6.06
Olhar estrangeiro
Procurando em cada canto
O lascivo ângulo
Desliza no corpo o olhar
Percorra caminhos ousados
Olha com olhos de lobo
Abre para ti, meu corpo
Deita teu hálito morno
Sorvendo cada poro
Bebe de mim um gemido
Prova da boca o contorno
Capta com tua lente o corpo
Mas como um estrangeiro
Ficará em tua mente
Cobre-me com esse olhar
Olhar de serpente
Um brilho verde
Que não me pertence
Mas como um estrangeiro
Ficará em minha mente..

