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2.1.09

Ao que chega

Que seja leve

Pois a probabilidade

De terminar pesado

É grande

Por isso,

para não arrebentar

No meio do caminho

Que seja leve

Que seja doce

Ah, a vida tem tantos momentos amargos

Merecemos um pouco de doçura

Mas que não seja tão doce

Ao ponto de nos fazer esquecer

Outros sabores

Que seja intenso

De acontecimentos e paixões

De desafios e amores

De Sonhos, mas nunca ilusões

Sonhos podem se realizar

Ilusões são fadadas ao fracasso

29.10.08

Olhos de além mar...

Uns olhos castanhos
De outros mares conheci
Olhos lusos, de além mar
De estrelas mágicas e brilhantes
Olhos aventureiros, viajantes
Vibrantes feito brisa marinha
Argutos, inquietos, cheios de sabedoria
Ternos e quentes, cheios de malícia
Olhos ardentes, impetuosos
Que meu gelo fez voar

Não estava eu, além do Rio
Esse Rio lusitano,
Quando dei com esse olhar castanho
Que não quero esquecer
Ainda que, como um bom olhar lusitano,
Outros mares vá conhecer


2.10.08

A cegueira nossa de cada dia



A cegueira nossa de cada dia
É uma cegueira de luz*
Só vemos a praia, sem perceber o calçadão
Só vemos o verde, sem perceber a clareira
Só vemos as ruas pavimentadas e limpas
Percebendo a sarjeta apenas quando ela incomoda

Essa cegueira vem em drops muito doces
Um pouco hoje, outro amanhã
Esperanças mesquinhas
por benefícios particulares
Pequenas ilusões de segurança

Ela é o sim por conveniência
E o não por omissão
O cinismo como filosofia de vida
E a ignorância disfarçada em "verdade"

É uma prece pelos nossos
E agradecimento pela dor do outro



* Não resisti a fazer referência ao Saramago, do qual a obra me inspirou a escrever esse poema.
Imagem: Estudo para a Seqüência do Sonho. Salvador Dalí




19.2.07

Palavras Andantes...



A palavra escapou.
Saltitou em minha volta
Dos meus escritos fez troça
Escapou dos meus lábios
Dos meus pensamentos
A palavras se foi
Pelo mundo afora
Já não era minha
Nem dos meus cadernos,
Contos
Ou sonetos
Tomou forma
Em outros ouvidos
Outras bocas
Outros olhos
Outros argumentos
Era de quem a lesse
De quem a ouvisse
De quem a quisesse

Era do mundo


Era livre



Imagem: http://portuguesapoesia.blogspot.com






17.12.06

Introspecção selvagem (17/12/2006)



não consigo escrever um poema
porque meu coração está cheio

e é tanto de tudo,

que nada tiro de mim
consumo tudo, queimo tudo
numa introspecção selvagem
que tudo quer sentir
que tudo quer devorar
Imagem: Klint, 1907.

5.12.06

Saudade...


A saudade me mordeu
E me deixou sem um pedaço
Mancando feito cachorro cocho
Com dor e sem uma parte do corpo
Ela me acorda todas as manhãs
Como um relógio
Tras a certeza
Que aquele é mais um dia
Com um buraco na vida

Como uma sombra, a
nda comigo
Me abraça
feito um amigo
É um vazio tão grande
Um deserto de gelo
É a ausência, a pura ausência
É a pergunta sem resposta
É o ponto final
É só o que resta
Quando sem mais nem menos
Nos é tirado

Um pedaço de vida


Obs: Saudade é uma palavra que so existe na nossa língua - língua portuguesa. Em outros idiomas existem palavras que encerram o significado da nossa "saudade", porém não existe uma palavra expecifica para esse sentimento tão difícil de explicar. É por isso que adoro essa nossa lingua, que dizem ser tão difícil, mas é muito, muito linda e cheia de nuances.

O Sistema


“Você não se enquadra!
Não sorri pras visitas
Não veste nada
Você não esta na lista
Não tem roupa da marca
Esta fora do peso
Esta fora da foto
É branco, é preto
É gordo, é magro
É pobre, favelado
É operário, mal pago
É velho e não serve
É jovem e rebelde
Não veste a camisa
Não tem profissão
Você resiste e diz "não"
Não “vai-com-as-outras”
Nada contra a maré
Você não se enquadra!
Não se encaixa
Não vai dar pé...”
“O próximo!”
Obs: Em homenagem a todos aqueles que não se enquadram, que estão fora da ordem e que questionam essa ordem estabelecida, e dessa forma resistem a ela.

Desabafo (05/12/2006)



Não consigo escrever um poema
porque meu coração anda vazio
e minhas mãos doloridas
pelo esforço repetido e esteril
por exigir de mim um resultado
minha rimas medíocres
minhas metaforas mofadas
sim, estou cançada
e dessa pena
não sai mais nada!

22.9.06

Vida de ressaca


Tem dias
em que a vida
está de óculos escuros
o céu é nublado
o café, amargo
Tem dias
que a vida é um barco
a procura do mar
parado na praia
ansiando pela partida
momento que não chega...
tem dias
que a vida é um licor
tão doce que vicia
tão leve que embriaga
e no outro
a vida fica de ressaca
Imagem: As Esferas - Salvador Dalí

23.6.06

Olhar estrangeiro

Por Viviane Mag - mai/2006
Foto: A. Pilichowski
Deita teus olhos em mim
Procurando em cada canto
O lascivo ângulo
Desliza no corpo o olhar
Percorra caminhos ousados
Olha com olhos de lobo
Abre para ti, meu corpo
Deita teu hálito morno
Sorvendo cada poro
Bebe de mim um gemido
Prova da boca o contorno
Capta com tua lente o corpo

Que não te pertence
Mas como um estrangeiro
Ficará em tua mente
Cobre-me com esse olhar
Olhar de serpente
Um brilho verde
Que não me pertence
Mas como um estrangeiro
Ficará em minha mente..

22.6.06

Versos e verbos...

no livro do teu corpo deito verbos indizíveis beijo versos bebíveis no verso dos meus olhos a verdade se espraia dando luz a minh'alma e corpo a poesia e teu corpo dela é guia pois em você estou perdida e se perde todo verbo e se constrói todo o verso e bebo os versos que construo e sinto o gosto do teu sumo neles impregnado e me sacio com teu gosto nos versos loucos que componho extasiada pelos verbos que no teu corpo recolho

9.5.06

Escrevendo (Niteroi, fev-06)

na cabeça um pensamento 
No coração um aperto 
um desejo inflama a alma, 
que dói como órgão enfermo 
na mão a caneta hesita 
o olhar atravessa o tempo 
procura palavras perdidas 
num tabuleiro de sentimentos. 
mas as palavras são toscas 
pra dizer o que não se fala 
pra gritar o que se cala 
o rosto sente o vento 
cortando os lábios secos 
esfrega a barba procurando um começo 
no infinito acha o fio 
que guia seus argumentos 
começa a escrita incompleta 
juntando das emoções fragmentos

Em duas rodas (Niteroi, out-05)

sSem destino 
Sem amanhã 
Somente eu e mais nada 
Voando em duas rodas
Não pertenço a ninguém 
Só a mim mesmo 
Voando em duas rodas 
Sou apenas um ponto 
No meio do mundo 
Apenas mais um 
No meio de tantos 
Vagando na estrada 
Um observador fugitivo 
Um andarilho invisível 
Vejo cidades, vejo homens 
Presos em seus dias iguais 
Ansiosos por sonhos 
Que alcançarão jamais 
Vejo edifícios e carros 
Igrejas e prados 
Se perdendo 
No balanço das horas 
No buraco do tempo 
Voando em duas rodas 
Eu não quero ser mais um 
Voando em duas rodas 
Não vou me perder 
Voando em duas rodas 
Me afasto de tudo 
Voando em duas rodas 
Tomo meu rumo

Vida moderna...(Niteroi, 2006)

Me angustia viver Quando isso é um favor Quando a disputa Impede que se viva Quando se prega liberdade Mas estou toda amarrada Por fios invisíveis Por historias murmuradas Modelos formulados Verdades fabricadas Idéias bem tecidas E, a cada refeição, De manha à noite, Engolidas. Me angustia viver Num mundo Em que o amor morreu Virou enzima, Estatísticas, numero Que se determina Quando começa e finda. Me angustia viver Quando o respeito Vira um bem Quando a justiça É mercadoria Me angustia viver Não ter perspectiva, Perceber que A própria vida É uma mentira Às vezes.... ...Me angustia Estar viva

Perverso (Rio, jan-05)


Perverso é o teu desejo
Que me escraviza
Perverso é o teu corpo
Que me alimenta
E se alimenta do meu

Perverso é o instante em que me olha
E não dá escolha
E me entrego sem demora,
Sem pensar

Porque perverso
É o desejo que me atordoa

Perverso é te pensar sem te ter
Perverso te querer
E porque te quero
Cada instante sem ti
É mais perverso
E perversos são os momentos
Antes do êxtase
Perverso é o próprio êxtase,
Tão efêmero e fugidio
E perversa é novamente essa busca
A angústia,
O Jogo,
O Desejo,
O gozo.

Garrafas ao mar...barcos de papel...

O que adianta amar quem não te ama? 
É Sonhar com barcos de papel 
E jogar garrafas no oceano 
Boiando sem destino, ao léu 
Esforço em vão 
Triste engano 
E só restam linhas tortas 
Tristes linhas do que não foi 
Do que não se disse 
Do que não se viveu... 
Palavras ao vento 
Como barcos 
Como garrafas ao mar.. 
Palavras ao mar 
Frases tristes ao vento... 
O vento que tudo leva 
O tempo que tudo apaga...